sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Loiros, ruivos e castanhos. Fios de todas as cores. Era assim que se via o cabelo dela ao sol, à distância, como um campo de trigo que se embaralha no vento. Essa profusão de cores que ela externalizava, estava presente também em sua mente. Idéias brotavam a todo o segundo. A todo o momento, coisas novas passavam pela sua cabeça. Ela queria viver para construir tudo o que sonhava. Ela queria construir para materializar sua existência e perceber então que viver tinha realmente valido a pena.

 A maior parte do tempo, estava sozinha. Ela e sua fiel companheira: a música. Não importava o gênero. A melodia estava presente. Também adorava cantar. Os instrumentos nunca foram seu forte. Diversas vezes, quando criança, sua mãe a incentivou a tocar piano, violão. Mas Diana*  nunca se habituava. Ela queria ser livre. Sem compasso, tempo e métrica. Ela queria se expressar, se soltar. Queria apenas sentir.  E esse desejo pela liberdade se materializava intensamente no seu canto, o qual só entoava quando estava sozinha.

Baixa estatura, rosto redondo e pele muito branca. Era dona de grande doçura e alegria, porém, ao mesmo tempo, era um ser introspectivo, uma questionadora incorrigível. Seus  olhos enormes e inquisitórios delatavam sua cede pela descoberta. Diana queria entender tudo o que estava a sua volta. Provavelmente, estava condenada a morrer como um felino, devido a sua extrema curiosidade e sua facilidade extrema de se meter em encrenca. “Apurar, investigar, compreender”: esse era seu lema.

Tinha nome de deusa da mitologia romana, mas não passava de uma simples garota (ou, pelo menos, assim ela pensava). E, de fato, na vida só se tem aquilo que se acredita ter. Se não se crê naquilo que se é ou se tem, o material possuído torna-se inócuo, improdutivo e, praticamente, inexistente. É preciso acreditar.

*Em Roma, Diana (a Artemis, da mitologia grega) era a deusa da lua, dos animais selvagens e domésticos, da caça e da castidade.

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